Deus está forjando uma lenda! É preciso um pouco de fé, para que as pessoas tenham algo em que se apoiar; depois, alguns demônios devoradores de homens, para que todos comecem a lutar! Um pouco de amor... um pouco de ódio... rebelião e impulsividade. Por fim, insira um protagonista familiar, cuja personalidade traga uma leve sombra, caso contrário, não teria graça. Maldição... exagerei! ...E assim, em um beco de Londres, Sherlock surgiu lentamente das sombras, segurando uma cabeça pela mão, enquanto o sangue escorria pela coluna até pingar no chão, gota a gota. Muito bem, agora o assassino já foi eliminado. O próximo desafio é provar que o assassino era realmente o assassino.
Hoje, Velho Jack tinha duas tarefas a cumprir.
A primeira era pagar a conta da água.
A segunda, matar uma pessoa.
Como era um pouco procrastinador, sempre deixava as coisas mais difíceis para o final.
Por isso, resolveu tratar logo do assassinato.
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Seis horas da manhã.
Ano 288 do Calendário Sagrado — Londres.
O amanhecer, na verdade, não se diferenciava muito do entardecer; a visibilidade era ruim e, acima das cabeças, os dirigíveis fabricados em Berlim pairavam preguiçosos como baleias gigantes, bloqueando o já escasso sol. A cidade inteira parecia envolta numa poeira que caía do céu.
O curioso era que, ao erguer os olhos, ainda se podia ver, ao longe, as grandes chaminés despejando fumaça espessa.
Essas chaminés eram como estandartes, a exibir o poder e a riqueza supremos do Império. Desde que os Portões do Inferno se abriram, trabalhavam ainda mais intensamente.
Como dizia o jornal... “Se as fábricas não trabalharem mais, quem pagará as despesas do tesouro? Quem sustentará o exército? Quem fabricará as armas? Quem lidará com os demônios que saem dos portões?”
Palavras bonitas, mas até mesmo o Velho Jack, que nunca estudara muito, sabia que tudo o que saia daquelas chaminés era o suor e o sangue dos pobres.
Quanto ao dinheiro, ia todo parar nos bolsos dos patrões.
Ah, naquela época a palavra “patrão” ainda não se popularizara; Velho Jack, então, usava outros termos para se referir a eles...
Por exemplo: bastardos sem vergonha.
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No bairro baixo, na Rua X