Sobre a terra devastada, as pessoas mergulharam numa crise de sobrevivência, sustentando-se com o que conseguiam recolher e colecionando migalhas para saciar a fome, vivendo à margem da esperança. Li Shuran, junto de seu amigo de infância, uniram forças e avançaram lado a lado, esforçando-se para comer bem, vestir-se com dignidade e conquistar dias melhores.
No ano cento e dez do apocalipse, um vazamento de radiação nuclear destruiu a atmosfera, deixando o mundo inteiro saturado por altos níveis de radiação. Humanos, animais e plantas foram atingidos, sucumbindo à morte ou à mutação. Ruínas de paredes e edifícios desmoronados estavam por toda parte; o ambiente selvagem já não permitia cultivo manual, pois flora e fauna haviam se transformado. As plantas cresciam de forma descontrolada, exuberantes, porém extremamente perigosas; a maioria continha tanta radiação que não podia ser consumida.
Os animais tornaram-se ferozes, de tamanho descomunal e força assustadora, chegando até mesmo a devorar pessoas. A humanidade deixou de ocupar o topo da cadeia alimentar, passando a ser presa do que antes dominava. Lutando para sobreviver em condições extremas, os poucos sobreviventes precisavam sair para catar restos e encontrar algo para comer. Plantas e animais altamente radioativos eram fatais; só aqueles com baixa radiação podiam ser consumidos, e mesmo os alimentos com radiação moderada deviam ser ingeridos com muita parcimônia.
A este lugar chamavam de Terras Devastadas.
Quem se aventurava a coletar suprimentos levava sempre um bracelete inteligente, equivalente aos computadores do mundo antigo, com funções completas e avançadas: detectava o nível de radiação, toxinas, fazia ligações, enviava mensagens, realizava chamadas de vídeo e tinha acesso à rede.
Dez de abril, cidade-base da Zona Trinta e Nove.
À vista estava uma fileira de muros de pedra e terra socada; o portão, de ferro maciço, era pesado e re