Na maré do vapor e das máquinas, quem poderá alcançar o extraordinário? Nos nevoeiros da história e da escuridão, quem é que sussurra? Despertei das profundezas do oculto e abri os olhos para este mundo: armas de fogo, canhões, navios colossais, dirigíveis, máquinas diferenciais; poções mágicas, adivinhação, maldições, o enforcado, artefatos selados... A luz ainda brilha, o mistério nunca se afastou. Esta é a lenda do "Tolo".
Dor!
Que dor terrível!
A cabeça lateja de dor!
O sonho, repleto de murmúrios e imagens fantásticas, desintegra-se rapidamente, fragmentando-se; adormecido, Klein Moretti sente uma dor lancinante na cabeça, como se alguém tivesse lhe golpeado com um bastão, ou melhor, como se algo agudo tivesse penetrado em sua têmpora e remexesse ali dentro!
Ah... Meio atordoado, Klein tenta virar-se, cobrir a cabeça, levantar-se, mas não consegue mover as mãos ou os pés; seu corpo parece ter perdido o controle.
Parece que ainda não acordei de verdade, ainda estou no sonho... Talvez daqui a pouco eu ache que acordei, mas na verdade continuo dormindo... Familiarizado com esse tipo de situação, Klein esforça-se para concentrar sua vontade e libertar-se por completo das amarras da escuridão e da ilusão.
Entretanto, entre o sono e a vigília, a vontade é volátil como fumaça, difícil de controlar, difícil de reunir; por mais que tente, não consegue evitar que seus pensamentos se dispersam e que distrações surjam.
Por que, de repente, essa dor de cabeça, no meio da noite?
E tão intensa!
Será que é uma hemorragia cerebral?
Droga, será que vou morrer jovem assim?
Preciso acordar! Preciso acordar!
Hm, parece que não dói tanto quanto antes, mas ainda é como se uma faca cega estivesse cortando lentamente dentro do cérebro...
Não consigo voltar a dormir, como vou trabalhar amanhã?
Trabalho? Com uma dor de cabeça dessas, óbvio que vou pedir licença! Não preciso temer as reclamações do gerente!
Pensando bem, não parece tão ruim,