O segundo tomo do Mundo do Oculto. No ano de 1368, ao final de julho, o vermelho profundo cairá do céu.
“Sou um fracassado, quase nunca reparo se o sol brilha ou não, porque não tenho tempo.
“Meus pais não podem me apoiar, minha formação é limitada, estou sozinho na cidade procurando um futuro.
“Procurei muitos empregos, mas nenhum me aceitou. Talvez ninguém goste de alguém que não sabe conversar, não gosta de interagir e não mostra competência suficiente.
“Passei três dias comendo apenas dois pães. A fome não me deixava dormir à noite. Ao menos, paguei antecipadamente um mês de aluguel, então ainda posso permanecer naquele porão escuro, sem precisar enfrentar lá fora o vento gelado do inverno.
“Enfim, consegui um emprego: vigia noturno no hospital, tomando conta do necrotério.
“As noites no hospital eram mais frias do que eu imaginava. Os apliques do corredor não estavam acesos, tudo era sombrio, dependia da tênue luz que escapava das salas para enxergar onde pisava.
“O cheiro ali era terrível. De vez em quando traziam corpos em sacos mortuários, e nós ajudávamos a colocá-los dentro do necrotério.
“Não é um bom trabalho, mas ao menos me permite comprar pão. As horas livres da noite servem para estudar. Afinal, ninguém quer ir ao necrotério, a menos que precise entregar ou retirar um corpo para a cremação. Claro, ainda não tenho dinheiro suficiente para comprar livros, tampouco vejo esperança de economizar.
“Preciso agradecer ao meu antecessor. Se ele não tivesse se demitido de repente, nem esse emprego teria conseguido.
“Sonho em trocar pelo turno diurno. Agora, sempre durmo quando o sol nasce e acordo ao anoitecer. I