No fim da dinastia Qin, o império estava exausto. As queixas e tristezas do povo enchiaavam os campos, e os remanescentes dos seis Estados conspiravam contra Qin sem cessar. Nesse momento, surgiram heróis que se levantaram em rebelião e levantaram sua voz pelo reino inteiro: “O mundo já sofre sob Qin há muito tempo!” “Acabemos com o governo sem virtude; castiguemos o Qin tirânico!” “Reis, nobres, generais e chanceleres: há alguma diferença de linhagem entre nós?”
Ano trinta e sete do reinado de Qin Shi Huang, agosto.
No condado de Yangxia, no distrito de Chen, uma corrente de água serpenteava enquanto mais de dez lavadeiras se agachavam à beira do riacho, esfregando roupas e, de tempos em tempos, entoando canções carregadas de tristeza.
"Se nascer um filho, cuide para não o criar; se nascer uma filha, alimente-a com carne seca. Não se vê, sob a Grande Muralha, corpos sustentando uns aos outros..."
O canto seguia com o vento, alcançando os ouvidos de um homem nas águas rasas do rio abaixo.
Num movimento rápido, o tridente de madeira caiu, cravando-se em um peixe que nadava distraído.
O peixe era robusto, de bom tamanho. Mas o pensamento de Wu Guang não estava no animal caçado; ele ergueu o olhar na direção de onde vinha a canção, suspirando suavemente.
Entre as lavadeiras, cinco ou seis eram viúvas; as demais haviam perdido pais, filhos ou irmãos. Por isso, o canto era tão melancólico e comovente, cheio de emoção genuína, tocando o coração de quem ouvia.
Wu Guang jogou o peixe na cesta. Vendo que o dia rendeu boa pescaria, recolheu seu tridente e subiu à margem, pronto para retornar.
Ao passar ao lado das lavadeiras, a canção foi cessando.
O corpo masculino, molhado pela água do riacho e cheio de vigor, atraiu os olhares femininos.
"Tio Wu, hoje a pesca foi farta, hein?"
"Foi razoável", respondeu Wu Guang com um sorriso.
Após algumas palavras, uma mulher mais velha não resistiu à brincadeira.
"Tio Wu, já não és tão jove